<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-27380129</id><updated>2011-04-22T02:47:22.656-03:00</updated><title type='text'>Um dia qualquer</title><subtitle type='html'>Opiniões sobre política, artes.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://tatubolinha.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27380129/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tatubolinha.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>tapirmetamorfose</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15482751617527041167</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>1</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27380129.post-114660137999885963</id><published>2006-05-02T17:20:00.000-03:00</published><updated>2006-05-03T20:21:32.566-03:00</updated><title type='text'>Comentário sobre "As ilusões armadas"</title><content type='html'>(postado pela primeira vez a 7 de fevereiro de 2003)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:130%;" &gt;“A ditadura envergonhada”, de Élio Gaspari, Companhia das Letras. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;A história do livro que não me foi contada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O primeiro dos quatro volumes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A excelência do primeiro dos quatro volumes de uma verdadeira coleção por vir é dificilmente questionável, nem que seja pela língua, límpida, acessível, que já constitui em si uma marca inegável de respeito do autor pelo leitor. Aliás, quem sou eu para julgar tal obra jornalística, haverá sem dúvida gente mais ilustre (e mais conhecida!) para avaliar a performance.&lt;br /&gt;Não sei se jamais lerei uma visão tão lúcida e exata do que possam ter sido (e sobretudo, não ser), no início da era militar, por um lado o exército brasileiro com suas armações, patética fraqueza e anarquia, e por outro a infinita debilidade das forças de esquerda contra o golpe. Não basta a poeira abaixar para ver, é preciso querer ver, e arriscar ver tanto o que há quanto o que não há, bem como aceitar que certas vezes tudo não passe de mera mediocridade ou inconsistência.&lt;br /&gt;Parece que a diferença essencial entre os adversários é que os fantoches fardados no governo têm o respaldo dos Estados Unidos e os outros, o de Cuba (não lembro de ter lido nada explícito sobre algum apoio da própria União Soviética), esta desigualdade sendo aparentemente a explicação decisiva para o desfecho da luta.&lt;br /&gt;O livro mostraria ao fim e ao cabo que se tratava essencialmente de uma briga com os Estados Unidos querendo dominar os latino americanos.&lt;br /&gt;Assim há de se louvar a vitalidade saudável de suas críticas ao partido - e ter salientado a ambigüidade da posição do PC- e à esquerda em geral, prova de sua imparcialidade. O inventário do papel extremamente ativo do terrorismo de direita é valiosíssimo.&lt;br /&gt;Os títulos dos primeiro (A ditadura envergonhada) e segundo (A ditadura escancarada) volume são um achado.&lt;br /&gt;Restam um ou dois pontos que gostaria de ver esclarecidos, embora eu teima que o tom de meu questionamento possa parecer meio arrogante ou inquisidor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Um ótimo jornalista, hiper-informado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Desculpe aí, companheiro, o tom cheio de mesquinha desconfiança das frases que vêm aí.&lt;br /&gt;O autor pertencia ao PC, no qual ingressou em 1962 como ele próprio o coloca logo no início do livro (p. 17). Como um (ex)comunista pôde ter tido acesso a informações tão exclusivas quanto a documentação (p. 14, para não pronunciar a maldita palavra arquivo) de Golbery e ter tido tão boa aceitação por esses militares tão ferozmente opostos ao comunismo? Sua competência de jornalista, por maior que seja, não deve explicar tudo.&lt;br /&gt;A amargura do próprio fundador do SNI (o “pé na bunda” que iam levar seus rivais), tão grifada no livro, ou o brevíssimo trecho sobre a curiosa morte de Castello que deve ter ficado entalada na garganta de muita gente, constituem sem dúvida exemplos de fortes ressentimentos que devem ter ajudado muitos da turma do regime militar a entregar, mas não explicariam por si só porque o Élio Gaspari foi aquele, único eleito, escolhido para salvar do mofo os milhares de documentos do Golbery.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Luzes e sombras do desfile&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Não sei se vocês já repararam, os militares possuem uma espécie de vocação, de vaidade suprema, o desfile. Pois é essa a sensação exata dos inúmeros nomes de militares que salpicam a “Ditadura envergonhada”, a de um longo, sinistro e desarticulado desfile, todos com farda e sem rosto, mas quase todos a querer aparecer... e alguns a querer sumir sem se tornarem pobres desaparecidos como suas vítimas (assim vão e vêm nomes tão barulhentos e expressivos, que em outras ocasiões seriam extraordinários, como o tal do Kruel (prenome Amaury).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Existirá então um “making of” do livro?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Imagino que certas regalias informacionais ao jornalista, de certos militares governantes e seus parceiros, de pessoas que o autor aliás cita abertamente na “explicação” que compõe a abertura do livro, como Golbery, Geisel e família, Lincoln Gordon, etc, não possam ser recebidas sem se aceitar alguma forma de troca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Um desfile de anjinhos de nada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Não se trata aqui de uma acusação (mesmo porque da minha parte seria, aí sim, verdadeiramente mesquinho, ignóbil, desonesto e redutoramente tendencioso querer com esta suspeita questionar o mérito de um livro com tantas qualidades), é meramente saber e lembrar que essas pessoas que informaram o Élio Gaspari não são - ou não eram, para os que morreram - anjinhos, nem burrinhos de tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também não são ou eram de tudo capetas mor. Faltava-lhes graças a deus na sua grande maioria alguma inteligência incomum na sua fúria ou as cegueira, estupidez e brutalidade puríssimas e sinceras dos legítimos monstros integrais do gênero do Pinochet ou Galtieri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas essas pessoas com certeza tiveram inteligência suficiente para lucrarem de alguma forma com o poder que exerciam, apesar do custo humano que isso envolvia. E tinham, tinham e têm sim, inteligência bastante para desconfiar que cedo ou tarde haveria de se denunciar algum responsável por essa “anarquia” incentivada reinante que escapara tragicamente de seu controle, como o descreve com maestria o livro do Élio Gaspari, sobretudo nas páginas dedicadas a Costa e Silva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então essas pessoas pensaram que ia ficar mal para elas, pensaram com vaidade que podiam aspirar à posteridade, já que a história já os havia levado ao palco, embora fosse por caminho pouco glorioso e nada heróico. Mas como? Logo entenderam que iam usar a informação (ou desinformação) que concentravam em seu poder, aproveitando-se precisamente da escassez de informação pública e confiável inerente ao período ditatorial, para negociarem seu ingresso na história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para se tornarem aceitáveis, críveis, embora essas pessoas tivessem sido poucas ou muitas vezes horrendas... talvez se o fatos inconvenientes fossem rapidamente reconhecidos e aceitos (de fato os governantes reconhecem sem pestanejar que torturaram) mas depois deixassem de ser martelados com muita insistência... talvez enfocando durante mais tempo a pisada do bate-bute do vizinho e menos a deles... talvez fazendo jorrar luz nos momentos oportunos em algumas pessoas do tal desfile, e eles ali, na sombra ou com voz off, só vendo a banda passar, presentes pela voz, sem aparecer, mas dando palpite a ponto de parecerem reles comentaristas de atividades desportivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o jornalista, só ali contando que viu o Golbery quase que só iluminando um desfile militar quase que só a anarquizar. Ou não seria o tal do Heitor Ferreira (p. 16), que foi nada menos que secretário de ambos o Figueiredo e o Golbery, a revisar a totalidade da peça de acordo com seu destino à sombra de homens da sombra? Terá esse personagem também sido o secretário do jornalista (na mesma página 16 Gaspari diz que o livro foi relido pelo Heitor Ferreira, o qual teria corrigido só a sintaxe)?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;No mínimo desmascará-los ao máximo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Parece-me afinal que o livro do Elio Gaspari diz assim: pronto, apesar de todos esses impedimentos, de todas essas tentativas de manipulação, vou conseguir escrever meu livro, vou conseguir dar a volta em vocês, vou me desmascarar a min próprio o quanto for possível no meu trabalho com a informação porque é assim que vou conseguir desmascarar vocês.&lt;br /&gt;Pelo visto, Elio Gaspari acabou saindo vencedor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27380129-114660137999885963?l=tatubolinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tatubolinha.blogspot.com/feeds/114660137999885963/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27380129&amp;postID=114660137999885963' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27380129/posts/default/114660137999885963'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27380129/posts/default/114660137999885963'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tatubolinha.blogspot.com/2006/05/comentrio-sobre-as-iluses-armadas.html' title='Comentário sobre &quot;As ilusões armadas&quot;'/><author><name>tatubolinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00158959750329757833</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
